Com saudade de mim mesmo, para lembrar Machado de Assis, no “Memorial de Aires”, voltei à leitura de “Diário de Faxinal do Céu, de 1998, acho que o último livro de Antonio Carlos Villaça, memoralista de escol, orador inspirado, rato de biblioteca, alma de criança num corpo de gigante, muito culto, amigo da elite literária do Rio. Inocente, acima do Bem e do Mal. Rotundo, mais ou menos 140 quilos, solteiro, sacerdote das letras, um ser humano patético. Pessoalmente, somente em duas ocasiões topei com ele. No Pen Club quando saudou, de improviso, na posse de Homero Homem. E, de relance, sua imponente figura, sentado no alpendre do Hotel em que morava, em Santa Tereza. Li sempre o que escrevia nos jornais e “ O nariz do morto”, seu livro de 1970, fez-me seu admirador para sempre. “ Diário de Faxinal do Céu” é livro para se ler e guardar. Faxinal do Céu era um local, uma pequena cidade, edificada para reciclar professores, no Paraná. Meca de mestres, que a clarividência de Jaime Lerner criou – uma de suas muitas felizes iniciativas de governo.
Deu título a um conjunto de textos que retratam algumas das personalidades mais notáveis da vida mental brasileira. Destaco o perfil que faz de Carlos Lacerda, seu amigo.
Minha filha Vera Silvia, em visita que me fez em Curitiba, em 2002:“Pai, gostei demais deste livro.” Me deu uma idéia diferente da história recente do Brasil”…ela mora há muitos anos nos EUA.
Cantata para Faxinal do Céu
Cantarei Faxinal do Céu, no alto da serra.
