INFORME OAB

abril 27, 2017

Gazeta do Povo, segunda-feira, 12 de maio de 2003

 

LUTO – Faleceu, no último dia 29 de abril, aos 83 anos, o advogado, escritor e historiador Fernandino Caldeira de Andrada.

Autor do livro “O Pitoresco na Advocacia”, que reúne casos e “causos” presenciados por advogados ao longo da profissão e cuja renda proveniente da venda de exemplares foi destinada à Fundação da Amizade Rotária, que atende a menores desamparados, o advogado ocupou os cargos de Diretor da Fundação Bamerindus e assessor da Secretaria de Estado de Negócios do Governo.

Fernandino Caldeira de Andrada foi eleito Conselheiro da OAB-PR para a gestão 1959/1961 e membro da Comissão de Sindicância em 1959. Na gestão 1985/1986 foi eleito membro da Comissão do Tribunal de Ética e Disciplina, e, em 1995, designado membro da Subcomissão de Defesas e Prerrogativas da Seccional.

 

 

 

Caminhos Cruzados

abril 27, 2017

Se a memória não me falha esse é título de romance. Provavelmente do gaúcho Érico Veríssimo.

Delfim Netto viaja aos EUA para ratificar contratos de hidrelétricas

Do Banco de Dados – O ministro da Fazenda, Antônio Delfim Netto, irá neste domingo (23) para Washington (EUA).

Ele viajará na companhia de Lucas Nogueira Garcez e Moacyr Teixeira, presidente e diretor financeiro da CESP (Centrais Elétricas de São Paulo S.A.), respectivamente, para encontro com dirigentes do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Banco Muncial.

A missão brasileira tentará ratificar os contratos de financiamento referentes às obras do parque hidrelétrico nacional, inclusive as usinas de Ilha Solteira, Xavantes, Jurumirim e Salto Grande, no Estado de São Paulo.

“Folha de São Paulo” – 26-04-17, na coluna “Há 50 anos” – 23-04-1967. Sete anos depois – 1974 – era instalada a Itaipu Binacional e formada sua primeira diretoria, à frente o general José Costa Cavalcanti. Lucas Nogueira Garcez no Conselho de Administração e Moacyr Teixeira diretor financeiro.

 

Antonio Delfim Netto

Dias Leite

Há poucos dias, o Brasil ficou ainda mais pobre. Deixou-nos um formidável engenheiro-economista, com 97 anos, ainda em atividade. Uma personalidade inesquecível: Antonio Dias Leite Júnior. Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente, em 1965, no Conselho Consultivo de Planejamento (o Consplan).

A obra de Dias Leite foi fundamental na consolidação e racionalização do setor de energia do país. Criou a Companhia de Pesquisas Minerais (CPRM) para estimular o conhecimento dos ativos minerais do Brasil. Em 1969 foi fator decisivo nas discussões técnicas, políticas e diplomáticas que tornaram possível a hidroelétrica de Itaipu.

Recomendamos, os três, que se abrisse a exploração a outras empresas para acelerar a produção. O general Geisel rejeitou abruptamente a sugestão, afirmando que “aqui quem entende de petróleo sou eu“, ao que Dias Leite respondeu, “mas quem entende de contas correntes é o ministro da Fazenda”! Depois, na Presidência da República, teve de fazê-lo, mas era tarde demais. Geisel nunca perdoou Dias Leite e o perseguiu com atitudes mesquinhas quando ele deixou o governo.

Incansável, Dias Leite continuou a preocupar-se com o problema da energia. Em 1998, conquistou o prêmio Jabuti com o livro “A Energia no Brasil”, a mais completa obra sobre a energia no Brasil, que teve três edições. Morreu antes de ver publicado o seu 19º livro, “Meu século – o Brasil que eu vivi”, coordenado por outro competente eletricista, José Luiz Alqueres. Tenho a certeza de que o livro nos reserva mais verdades e surpresas.

Antonio Delfim Netto escreve às quartas nesta coluna

ideias.consult@uol.com.br

 

Por mim já estaria satisfeito de ter lido e aproveitado para esta coluna, mas tem mais. Há dias em “O Globo” Vidor relembrou sua amizade com o engenheiro Antonio Dias Leite e também comentei, por que trabalhei de 1976 e 1991, na Binacional, cinco anos no Rio e dez anos em Foz do Iguaçu e conheci todos os mencionados. Fui, como diria Heron Domingues (O repórter Esso com quem também trabalhei) testemunha ocular da História.

Reflexão: “Leia, instrua-se. O ensinamento que contém um livro pode ser o alicerce para edificar sua vida”.             Inácio Dantas

 

 

Crônicas do Nosso Tempo

abril 27, 2017

Jornal Nosso Tempo

08/15 de março de 1991. Pag. 08

Isto Mais Aquilo

Truman Capote ficou famoso de vez, quando deu uma de repórter e descreveu minuciosamente a execução de um assassino em livro que vendeu muito e transformou-se no filme “A sangue frio”. Dele, há um conto intitulado: “Other rooms, other voices”, tão poético, tão original e, para mim, profundamente evocativo.

Era nisso que pensava na noite de sexta-feira, em meio ao burburinho do jantar nos salões do Rafain Palace Hotel, onde a bondade dos amigos leais me levou, a mim e Ana Maria, para a despedida.

Outros espaços (rooms) e outras vozes se faziam presentes, povoando de suave tumulto a minha mente. Vontade de fixar aquele momento, congelar como imagem de cinema/televisão, recortar como fotografia e guardar…

Escrevo um dia depois de completar quinze anos como servidor da Itaipu Binacional. E o verbo servir não saiu por acaso. Particularmente na área de comunicação de uma empresa, esse é o espírito que deve presidir as ações.

Recordo outra despedida, a primeira e decisiva, em 1948, na secular Igreja Presbiteriana de Sorocaba. O reverendo Paulo Bonilha Costivelli buscou no Velho Testamento o episódio do jovem David na cova dos leões. Quem lê a Bíblia sabe o que livrou, o futuro Rei, da sanha daqueles animais selvagens e famintos.

A mesma coragem, audácia, simplicidade e astúcia, tudo isso firmemente atrelado à Fé, o querido pastor desejava ao rapazinho pobre e pretencioso que se desligava daquela grei para buscar outras paragens. Somente na Itaipu passei quase um terço da minha vida profissional. Deus é testemunha de que procurei fazer o melhor, tanto nos primeiros cinco anos, no Rio, quanto nestes dez anos em Foz do Iguaçu.

Nunca pretendi ser o dono da verdade. Sempre trabalhei em equipe. Considero-me um privilegiado pelas oportunidades que tive. Trabalhar com homens de estatura de José Costa Cavalcanti e Ney Braga. E deixar a Entidade sob o comando firme de um jovem e vitorioso administrador que é o engenheiro Fernando Xavier Ferreira. Como pude dizer aos amigos naquela noite, eu vou, mas eu fico. Itaipu é mais que o maior empreendimento hidrelétrico – a obra do século. É algo mitológico e se insere em um cenário igualmente atípico, meio mágico, a tríplice fronteira.

Entre aquela noite quente de fevereiro, há 43 anos, na Igreja, e esta calorosa noite de 1º de março, no inesquecível jantar, muita coisa aconteceu. A lição não foi esquecida. Tropeçando sim, mas sem cair, é-me possível balbuciar de mim para comigo: “Até aqui o Senhor me ajudou. Louvado seja o seu NOME!”.

Foz, 4 de março de 1991.

Rubens Nogueira

Semper fidelis

 

PS – Foram 50 crônicas no jornal “Nosso Tempo” de Foz do Iguaçu. Agora que Itaipu está de Diretoria nova, após muitos anos sob o comando do PT acho oportuno relembrar os tempos em que lá trabalhei.

 

 

 

Tancredo Neves

abril 27, 2017

Estou lendo devagar a biografia de Tancredo Neves. Aproxima-se o 1º de maio, quando houve o atentado no RioCentro, onde acontecia um show musical. O que me atraiu a atenção foi saber que a neta de Tancredo Neves teve importante participação naquela noite. Ela e o namorado transportaram para o hospital, o militar que teve as vísceras expostas quando a bomba explodiu em seu colo. Tancredo teve importante papel no desenvolvimento das investigações. O trágico episódio nunca foi totalmente esclarecido, mas marcou o início do fim da ditadura, eclodida em 31 de março de 1964.

 

 

 

O Amor Infinito

abril 27, 2017

Na seção de óbitos – “O Globo” – 25/04/17 – a família de Patrícia Pellegrini Baptista da Silva – 18/02/1965 – 24-04-17 – teve a feliz idéia de homenageá-la com um soneto de Camões.

Alma Minha Gentil, que te Partiste

Alma minha gentil, que te partiste / Tão cedo desta vida descontente / Repousa lá no Céu eternamente. / E viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento Etéreo, onde subiste,/ Memória desta vida se consente,/ Não te esqueças daquele amor ardente,/ Que já nos olhos meus tão puro viste. E se vires que pode merecer-te/ Algüa cousa a dor que me ficou/ Da mágoa, sem remédio, de perder-te, Roga a Deus, que teus anos encurtou,/ Que tão cedo de cá me leve a ver-te,/ Quão cedo de meus olhos te levou. (Luiz de Camões – 1595). Amor eterno de tua mãe!

 

Reflexão – “Deus estabeleceu esta lei: não fazemos o bem ao ser humano senão amando-o”.       Bossuet

 

 

 

Lembrete

abril 27, 2017

A hora é Agora

“Não esperem um avião cair para dizer ‘eu te amo’, para pedir perdão, para dar um abraço”.

Neto

Sobrevivente da tragédia da Chapecoense, antes do jogo com o Atlético Nacional, de Medelin.

 

 

 

Dias Leite

abril 21, 2017

“Costumava dizer, de brincadeira, que o dia em que deixasse o jornalismo não escreveria nem mais bilhete. Só me comunicaria por gestos. Fiquei envergonhado disso quando o professor Antônio Dias Leite, ex-ministro de Minas e Energia, ex-presidente da Vale e professor emérito da UFRJ, aos 90 anos enviou o texto do livro que acabara de concluir sobre a energia no Brasil e me convidava para  escrever a orelha. Além de ser atual, com informações e análises preciosas, o livro foi escrito em linguagem acessível. Ficou a lição, pois passei a escrever mais (e até livros, sem veiculação comercial, como o dos 40 anos da Comissão de Valores Mobiliários e, em breve, a história de Marcello Leite Barbosa, ascensão e queda do padrinho do mercado de capitais brasileiro). Depois, o professor escreveu mais duas obras. A última, uma história econômica do Brasil, foi concluída há poucos meses e já está no prelo. Aos 97 anos, o professor se foi. Em quem agora vou buscar estímulo para continuar escrevendo?”

O texto é parte do artigo de George Vidor em “O Globo” – (17-04-17). Antonio Dias Leite foi um dos mais brilhantes engenheiros de sua geração. Atuou muito na área da energia elétrica. Teve presença importante nas tratativas que levaram Brasil e Paraguai a construir a maior hidrelétrica do planeta – a Itaipu Binacional.

 

 

 

Nem índio escapou . . .

abril 21, 2017

. . . da ambição odebrechetiana. Segundo os delatores a empresa comprou a boa vontade de alguns caciques que ameaçavam invadir canteiros de obras de hidrelétricas na Amazônia.

Mas, como no início dos tempos, nossos irmãos indígenas foram tratados como na época do achamento – miçangas, badulaques, isto é, trocadinhos em moeda sonante.

Nelson Rodrigues afirmava: “o dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro”. O redivivo Pedro Álvares leva-me a atualizar e reformalizar a boutade: “compra-se tudo com dinheiro – até a leniência do índio brasileiro”.

 

 

 

País de Futuro

abril 21, 2017

Quando penso no meu país, me pergunto: por quê dois tentaram conquistar o Brasil? França e Holanda. Civilizações milenares. Portugal conseguiu. Foi bom, foi mal? Qui lo sa . . . Não foi descoberto. Foi achado. Faz pouco mais de meio milênio. Somente de 300 anos até hoje foi tomando jeito de país organizado.

Quando penso em brasileiros como Cândido Rondon, Euclides da Cunha, Olavo Bilac, e estrangeiros como Stefan Zweig, sinto-me orgulhoso da minha pátria amada, salve, salve. E acompanhando a tragédia do momento, reflito: é, o buraco é imenso, mas o Brasil é maior. Tudo o que tem sido revelado não impediu que a exportação brasileira de apenas carne bovina, de aves e suína nos colocassemm em destaque em mais de 160 países.

Segundo Marcos Sawaya Jank especialista em questões globais de agronegócio, “o setor de proteínas animais é um dos raros segmentos da economia em que nos tornamos referência mundial”. Ele calcula que a demanda mundial por alimentos aumentará 46% até 2050, a procura por proteínas animais crescerá 95%, mais que o dobro”.

No momento, seis bilhões de bocas têm que mastigar alimentos duas a três vezes por dia. O Brasil, terra de encantos mil tem essa vocação – matar a fome da humanidade. É um país de futuro.

Reflexão: “A vida é mais forte que a morte. O bem é mais forte que o mal. O AMOR é mais forte que o ódio” (Papa Bento XVI)

 

Lembrete: Marcos Sawaya Jank escreve quinzenalmente na “Folha de São Paulo”.

 

 

 

Metrô em promoção

abril 21, 2017

Era uma reivindicação da população. O metrô, que acabava em Ipanema, devia ir até a Barra. A obra demorou, mas saiu. Nas Olimpíadas foi uma beleza. Depois continuou indo bem. De repente, não mais que, os vagões se esvaziaram. O que houve? Mistério . . . O fato é que a linha Ipanema – Jardim Oceânico está às moscas. A previsão há 3 anos é que a demanda seria de 300 mil passageiros. Na semana passada, não passava de 140 mil. Daí a apelação – até o fim de abril o custo da passagem baixou para R$3,00.

Vá entender!