Idiota é quem faz idiotice

março 19, 2019

Eu posso parecer idiota, mas sou sensível, persistente, bem-intencionado. As metáforas me fascinam. O filme é metáfora do começo ao fim. Alguns dos personagens nunca envelhecem, e, isso é apenas um detalhe.

O contador de histórias aborda um variadíssimo leque de assuntos e consegue, com simplicidade, humor, coragem e muita inteligência nos esclarecer e fazer-nos refletir sobre o mundo, tal como ele é. Com muita poesia, aliás.

 

Reflexão: “Jenny, case comigo. Eu posso ser idiota, mas eu sei o que é o Amor”. (Forrest Gump)

 

 

 

 

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Presidente Médici

março 15, 2019

Elio Gaspari, o jornalista e escritor que herdou o arquivo do fundador do SNI, general Golbery, escreveu dia 13/03/19 em “O Globo” (oglobo.globo/opiniaoeditoria.artigos@oglobo.com.br) – “O Governo tem rumo, o da crise”.

“O Governo tem rumo, o da crise

O professor Delfim Netto avisou que a partir do dia 2 de janeiro o governo precisaria abrir a quitanda todas as manhãs oferecendo berinjelas e troco à freguesia. A quitanda tem oferecido encrencas, baixarias e tuítes. Se isso fosse pouco, o “Posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro vende fiado três projetos de emendas constitucionais, daquelas que precisam de três quintos das duas Casas do Congresso. Pode-se até pensar que a da reforma da Previdência será aprovada. Qual? A que conseguir os três quintos.

Como se planejasse dificuldades, o ministro Paulo Guedes anunciou que pretende propor a desvinculação das despesas orçamentárias. Nova emenda constitucional. Tem mais. Uma medida provisória determinou que as contribuições sindicais não podem ser descontadas na folha de pagamento dos trabalhadores. Ótima ideia, porque a nobiliarquia do sindicalismo quer que os trabalhadores tenham todos os direitos, menos o de decidir se contribuem para suas guildas. O fim do desconto compulsório abalará todos os sindicatos, que, bem ou mal, devem cuidar dos interesses dos trabalhadores. Para evitar esse colapso, surgiu outra boa ideia, acabar com a unicidade que obriga que cada categoria tenha um só sindicato por município. Em tese, havendo competição, o sistema funcionará melhor. Para o estabelecimento da pluralidade, será necessária uma terceira emenda constitucional.

Vistas separadamente, cada uma dessas propostas faz sentido. Juntas, coligam os interesses dos sindicalistas, dos marajás da Previdência às corporações da saúde ou da educação. Separados, esses blocos podem ser batidos. Juntos, até hoje estão invictos.

Há na pregação do ministro Paulo Guedes algo de José Wilker no comando da inesquecível caravana Rolidei do “Bye Bye Brasil” de Cacá Diegues. Quem viu o filme lembra que no seu momento de glória poética o Lord produziu o supremo símbolo da modernidade: neve.

A plataforma reformista de Guedes tem suas próprias dificuldades, mas a elas somou-se a natureza errática do próprio presidente, que não pode ver casca de banana sem atravessar a rua para escorregar nela. Em menos de cem dias, Bolsonaro viu-se encoberto pela névoa de um possível controle palaciano. É a velha lenda segundo a qual grandes ministros são capazes de controlar presidentes. Donald Trump está aí para demonstrar a futilidade dessa ideia.

No Brasil a teoria do controle interno teve dois grandes fracassos e um êxito. Pensou-se que Fernando Collor seria controlado. Deu no que deu. Antes dele, pensou-se em blindar o comportamento errático do general João Figueiredo. A trama derreteu em menos de um mês.

O controle funcionou no caso do general Emilio Médici. De 1969 a 1974, quando ele presidiu o Brasil, mandaram os professores Delfim Netto (na economia), João Leitão de Abreu (na administração) e o general Orlando Geisel (nas Forças Armadas). A manobra só deu certo porque foi voluntária e sincera. Médici, que não queria ser presidente, decidiu delegar esses poderes. Ao decidir não mandar, mandou como poucos, até porque tinha o cajado do Ato Institucional nº 5. Faltam a Bolsonaro não só o AI-5 como a disciplina circunspecta de Médici. (Vale lembrar que, sabendo o risco que corria por ter dois filhos adultos, levou-os para o quartel do Planalto. De um deles, Roberto, pouco se falou. Do outro, Sérgio, nada.)

O governo Bolsonaro parece sem rumo. A má notícia é que seu rumo pode vir a ser o de uma crise”.

 

 

Uma tragédia importada

março 15, 2019

O horroroso morticínio na Escola de Suzano, foge ao comum da violência que conhecemos no Brasil. O texto a seguir deve ser meditado por todos.

Uma tragédia importada pastor Rolf Rieck

 

 

 

Diaconia

março 13, 2019

Do grego Diakonia – serviço prestado ao próximo. Está no novo Aurélio. Mas veja bem. Não é tão fácil assim. É preciso servir com alegria. E isso é um dom de Deus. Você vai entender o que digo ao final deste artigo.

Diáconos e diaconisas são pessoas muito especiais. São vocacionadas. Aqui no Ancionato estamos bem servidos. Desde a direção, aos auxiliares, aos voluntários. As vinte e quatro horas, dia e noite, as equipes vão se alternando numa sequência tranquila. Tudo funciona como um relógio. As atividades ocupam todos os horários – temos assistência religiosa, acompanhamento psicológico, atividades geracionais, terapia ocupacional e por aí vai.

Fui induzido a produzir este artigo após a leitura do livro da diaconisa Ilanda Dercila Goelzer, gaúcha de Ibirubá, hoje município de Quinze de Novembro, no Rio Grande do Sul. Filha de imigrantes alemães, essa senhora é o mais acabado exemplo de pessoa que soube superar os sofrimentos aos quais todos estamos sujeitos.

Fez-me um bem imenso ler sua autobiografia: “Servir com alegria é dom de Deus” – diaconisa Ilanda Dercila Goelzer – Edição da Gráfica e Editora Otto Kuhr Ltda. – 2017

 

Gráfica e Editora Otto Kuhr Ltda.

Rua Erich Belz, 154 – CEP 89068-060

C.P. 6390 – Blumenau/SC

Fone/fax: (47) 3337-1110

E-mail: grafica.ok@terra.com.br

 

 

 

Além do Horizonte

março 13, 2019

Semana passada tive a alegria de conhecer o Reverendo Rolf Rieck. O belo salão do térreo transforma-se em templo ecumênico, eis que o pregador, dirige a Paróquia Evangélica de Confissão Luterana no Rio de Janeiro – Martin Luther. A congregação é pequena, mas muito atentas e participativas.

O tema do dia: “O que você enxerga além do horizonte?

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Dou graças a Deus: O Ancionato do Hospital Alemão do Amparo onde somos confortados sob todos os aspectos.

 

Reflexão: “Horizonte – linha circular que limita o campo de nossa observação”. Nosso desafio: ver além do horizonte azul.

 

 

 

Silvio Tendler

março 13, 2019

O cineasta Silvio Tendler estará amanhã, dia 14, na Cavídeo na abertura da Mostra Estrelas Cariocas. Na ocasião, será exibido o seu longa-metragem: ALMA IMORAL.

A Cavídeo fica no Humaitá, na rua Voluntários da Pátria, 446, loja 25 A.

 

 

 

O espaço que ocupamos

março 13, 2019

Até algum tempo atrás eu habitava um apartamento em Botafogo de uns 60 metros – sala, varanda, dois quartos, banheiro social, corredor, cozinha, área com tanque, banheiro e dependência para a empregada.

Edifício sessentão, quatro andares, elevador do tempo em que galinha tinha dentes. Obra da engenharia lusitana, corredores abertos, bem iluminados pelo sol que nos encobre. Lá fui muito feliz, acolitado por várias pessoas que me ajudavam a tocar a vida na terceira ou quarta idade.

Ao escolher este abrigo, troquei o espaço que ocupava por meros, calculo, quinze metros, incluindo o banheiro. São três andares, com apartamentos do mesmo tamanho, com uma placa na porta, com o número e o nome do residente. Como um hotel estrelado, atendimento vinte e quatro horas por equipe bem treinada. O entorno é amplo, muito verde, jardins, varandas cobertas, árvores frutíferas, muitas aves, borboletas amarelas. Pelos gramados roedores, muitos gatos. E mais, anexado a um hospital centenário.

 

Reflexão: “O Deus Eterno é o meu pastor: nada me faltará, Ele me faz descansar em pastos verdes e me leva a águas tranquilas”. (Salmo 23, versículos 1 e 2- A Bíblia na linguagem de hoje)

 

 

 

São as chuvas de março fechando o verão

março 11, 2019

É sempre bom lembrar Tom Jobim. Ontem (10-03-19), na “Folha de São Paulo”, o genial Ruy Castro mandou ver, na página 02:

“música de elevador

Entrei no elevador de um prédio comercial de Ipanema e, assim que a porta fechou, escutei um agradável fundo musical saindo de algum lugar. Era o tipo de música ideal para se ouvir quando não se tem alternativa — como dentro de um elevador. Subimos. A porta abriu no andar e saí, mas a música me seguiu pelo corredor e já estava na sala de espera onde entrei e me sentei para ser atendido. Era música de elevador, mas, pelo visto, atendia todo o edifício.

Aquela música não me era estranha. Podia jurar que já a tinha escutado. Era um conjunto de trompete, sax-tenor, sax-alto e seção rítmica — piano, contrabaixo e bateria. O clássico sexteto de jazz. E, de repente, identifiquei cada integrante daquela formação e me dei conta do que estávamos ouvindo.

Começara com o piano de Bill Evans e o contrabaixo de Paul Chambers. Foi o que tocou enquanto o elevador subia. Já no corredor, a bateria de Jimmy Cobb se incorporou e formou um leito sobre o qual se espalharam, delicadamente, o sax-alto de Cannonball Adderley, o sax-tenor de John Coltrane e, você adivinhou, o trompete de Miles Davis. Era “So What”, o tema de Miles que abre “Kind of Blue”, seu disco mais celebrado da fase pré-rock, em que ele ainda comprava carros ingleses, usava camisas italianas e namorava atrizes francesas.

“Kind of Blue” foi gravado em 1958 e, depois de anos meio que ignorado, foi promovido a um monumento do jazz. Ouvi-lo, hoje, num desprezível elevador, devia ser chocante, não? Não —não mais. O que a grande música pode ter contra o elevador se não há muitos outros canais onde se possa escutá-la?

Tom Jobim me disse certa vez: “Alguém escreveu outro dia que faço música de elevador. É verdade, minha música toca no elevador. Mas a do Cole Porter também toca. A do Chopin, também. Um dia, todo mundo vai tocar no elevador. E vamos ter de dar graças a Deus por isto”.”

Quisera saber onde e como Ruy Castro encontra forças para ler, pesquisar, entrevistar, falar em rádio e na televisão e, apesar de todas as mazelas da idade e da saúde, encantar-nos com sua erudição e bom-humor, ele que está na liça há muitas décadas. Ruy e sua esposa são exemplos de superação que admiramos com fervor.

 

PS: Quando eu frequentava o Ministério da Educação e Cultura, no Castelo, o ascensorista costumava cantar baixinho. Seu nome: Heitor dos Prazeres.

 

 

 

 

A Mulher, sempre a Mulher

março 10, 2019

“O Dia da Mulher, comemorado nesta sexta-feira (8), suscitou avalanche de manifestações de solidariedade àquelas que sofrem violências e discriminação de todos os tipos. A rejeição ao status subalterno que lhes impingem na sociedade ganha ares de tendência cultural.

Quatro décadas após a institucionalização da data pela ONU, em 1977, agressões cotidianas seguem como realidade para muitas. Dos gracejos lascivos na rua e da bolinação em transportes coletivos à violência doméstica e ao homicídio, são variadas as maneiras de humilhar e sujeitar as trabalhadoras, mães, filhas e esposas.

A forma mais odiosa, por certo, é a morte de mulheres por motivos fúteis, como o ciúme doentio ou o inconformismo do homem com o término de um relacionamento.

A covardia e os meios cruéis com frequência presentes nesses atos já bastariam para qualificá-los como crimes torpes a serem apenados de modo agravante. O legislador optou por tipificar um delito à parte, o feminicídio, o que teve ao menos o mérito de disseminar a atenção para tal praga social.

Levantamento desta Folha indicou que pelo menos 119 mulheres foram mortas, em janeiro, por força de seu gênero; outras 60 sobreviveram aos ataques. Revoltante foi constatar que em 71% dos casos o perpetrador ou suspeito é parceiro ou ex-parceiro da vítima.

Na maioria dos episódios, a morte ou tentativa de homicídio não constitui fato isolado, mas o clímax de uma série de violências que começam verbais, escalam para agressões ou espancamento e culminam em assassinato. Vale dizer, em regra não faltam precedentes e avisos, o que em princípio os torna crimes evitáveis.

Houve avanço considerável nas últimas décadas, com a criação de delegacias especializadas em violência contra a mulher, medidas de restrição ao agressor e estruturas de apoio para vítimas de espancamento. No entanto não raro se ouvem queixas daquelas que, atacadas ou ameaçadas, buscam auxílio policial e terminam rechaçadas, quando não ridicularizadas.

Mudanças culturais, sabe-se, costumam ser lentas —o que não as torna menos urgentes. É imperioso treinar mais e melhor os agentes públicos —nas repartições de segurança pública, por óbvio, mas também nas de saúde e assistência social— para corretamente acolher as mulheres sob ataque.

Não basta, contudo. No próprio meio social ainda há muito que avançar na destruição dos preconceitos contra a igualdade dos sexos”.

(“Folha de São Paulo” – 09-03-19 – Mulheres sobre ataque)

 

Nesse mesmo dia “O Globo”, no segundo caderno, sobre o título: “Não me chame de boneca” dedicou ampla matéria aos 60 anos da boneca Barbie, correlacionando esse brinquedo com os problemas que as mulheres têm enfrentado. Finalmente, parece que o movimento em defesa da mulher, ganhou alcance mundial.

Recentemente, a psicóloga Carol Teixeira escreveu: “Precisamos de uma reforma sexual urgente”, conclamando a mulher para libertar seu corpo da submissão ao homem.

A psicóloga Maria Célia de Abreu sobre “o desafio de envelhecer com saúde” (“O Globo” – 07-03-19).

É dirigido as mulheres e homens na terceira idade: “uma reflexão sobre a qualidade de vida depois dos 80”. Nós, idosos, podemos escapar do Alzheimer, mas da demência senil, jamais.

O espelho pode mostrar o que quiser. Cada pessoas tem a idade que mais lhe agrade. Entendeu? Nem eu!

A mulher que mais amei tem nome:

Hortência é poesia, após a noite, vem o dia…

 

 

 

 

Memória puxa memória

março 10, 2019

Ele sonhou, economizou e realizou o seu sonho. Em Paris, na Sala Vip deu de cara com Victor Civita, seu patrão, no Grupo Abril, onde trabalhava. Em seguida, adentrou o recinto, seu ex-patrão, dono do jornal “O Globo”, Dr. Roberto Marinho. Comecei a ler a matéria na revista “Época” (11-03-19).

Título: “Notas supersônicqs. Relato do repórter no vôo de estréia do avião concorde – Paris-Rio, em 1976. Jovem, Geraldo Mayrink, comprara um monte de bugigangas no duty free – (carregava várias bolsas).

Os dois poderosos empresários cumprimentaram o rapaz. Parecia-lhes familiar. Ajudaram-no a acomodar as compras. Carregaram as bolsas até o avião. Você precisa ler a reportagem, escrita por Geraldo (1942-2009) e publicada por seu filho Gustavo.

Ao lê-la, lembrei-me que o concorde em 1978, não em Paris, mas em Londres, também fez parte da minha segunda viagem a Europa.

Elza foi comigo. Estávamos em uma excursão a caminho de Oxford. O famoso supersônico cruzou o céu ainda em velocidade baixa (ele decolava e, em 6 minutos subia de 10 para 18 mil metros e sua velocidade saltava de 900 para 2.100 km por hora). Diz o texto do repórter: “a curva da terra apareceu além do horizonte da minha janela”.

Além da “Época” passei os olhos na “Veja”, em “O Globo” e na “Folha de São Paulo”. Recentemente escrevi um texto a ser publicado: “Além do horizonte”. Em 1982 recepcionei o Dr. Roberto Marinho, que visitava a barragem da Itaipu Binacional. Em Foz do Iguaçu conheci o repórter da “Veja”, o qual muitos anos depois me substituiu na chefia das Relações Públicas daquela fantástica usina hidrelétrica.

Muita coincidência não? Sei lá. Dizem que não existe coincidência, como também não existe sorte. Tudo que acontece em nossa vida já estava escrito nas estrelas.

Sei que fiquei impactado com essa crônica. Ainda não me recuperei do espanto!

 

PS: O melhor de tudo: Gustavo Mayrink, filho do jornalista e escritor Geraldo Mayrink, está preparando um livro de memórias e um site com a longeva produção jornalística e literária do pai. Quem me dera fosse ele meu filho!